Um ato de coragem. Um ato de amor. Um gesto que envolve profunda responsabilidade: tornar-se mãe/pai, por meio da adoção. Foi a decisão tomada por meus amigos Debora Malávski Oliveira, criadora do blog "Mãe é Mãe", e Clécio Antão, que gentilmente me concederam esta breve e esclarecedora entrevista:
RA – Por que adotar? Como vocês tomaram essa decisão?
D/C – Porque queríamos ter um filho, constituir uma família. No começo tentamos que o Gabriel chegasse pela barriga, mas como a natureza não permitiu, ele chegou até nós pela barriga de sua genitora. A decisão foi tomada por nós e apoiada totalmente por nossa família. A opinião da família, principalmente dos avós, foi muito importante para que levássemos esse sonho adiante.
RA – Quais as principais dificuldades?
D/C – Várias situações acabaram dificultando o início do processo de adoção. Tanto a dificuldade em compartilharmos experiências com outras pessoas na mesma situação, quanto a morosidade desde de a habilitação até finalização do processo no fórum.
RA – Pais são os que criam?
D/C – Sem dúvida nenhuma. Nos sentimos mais pais do que muito casal. Quando o Gabriel falou papai e mamãe pela primeira vez, imagine a nossa emoção !
RA – Um dia o Gabriel saberá que foi adotado? Como pretendem comunicar isso a ele?
D/C – Sim. Pretendemos contar o que ele quiser saber, conforme for surgindo a sua curiosidade e sua capacidade de assimilar a informação.. Queremos começar uma relação saudável sem mentiras, mesmo porque ele terá acesso a todos os detalhes de seu processo no fórum, inclusive nome e endereço de seus genitores. Não queremos que em momento algum, ele se sinta incomodado ao falar sobre esse assunto, com a gente ou com qualquer outra pessoa. Queremos que ele tenha uma opinião formada e natural sobre isso.
RA – O melhor da adoção é... E o pior é...
R: O melhor da adoção, foi sem dúvida nenhuma a transformação que aconteceu com a gente, despertando o nosso poder de amor incondicional. Mudamos o conceito que tínhamos que, amar como filho, era somente aquele que nascesse de nossa barriga, que levasse nos nossos traços genéticos. Também quando julgávamos e condenávamos mulheres que entregavam seus filhos para adoção. Não seríamos pais do Gabriel, se não fosse seus genitores.
O pior da adoção, pela sua própria característica, é que gerou muito ansiedade na espera do Gabriel. Nem na época que estávamos tentando engravidar ficamos tão ansiosos. Isso aconteceu justamente por não sabermos quando ele iria chegar, a idade, o sexo, em quais condições de saúde, etc.. E, claro, o inimigo número 1 da adoção, é o preconceito das pessoas e os comentários que rodeiam o assunto, mas quanto a isso é uma ótima oportunidade de exercitarmos nossa paciência e entendermos que muito gente não sabe nada sobre o assunto e as vezes falam coisas sem pensar.. Mas isso gradativamente está mudando e a tendência que muito em breve, as pessoas dentro do seu planejamento familiar, optarão também, pela adoção.
RA – Deixem algumas recomendações a quem pretende adotar, por favor.
D/C – Alguns comentário em relação à nossa experiência :
- Primeiro de tudo, procure o fórum mais próximo de sua casa. Não adianta tentar se habilitar em um outro fórum, pois a partir do lançamento do programa do Cadastro Nacional de Adoção (CNA), esse habilitação é única.
- Tente compartilhar suas experiências com outras pessoas na mesma situação que a sua, principalmente em Grupos de Apoio à Adoção e em Sites de Relacionamento voltados a esse assunto. Servirá como uma terapia enquanto você “espera na fila”, além de ajudar outras pessoas.
- Não adote de forma ilegal, ou seja, sem a participação do estado (adoção à brasileira). Você pode ser denunciado e corre o risco de perder a criança para uma pessoa que está habilitada legalmente no fórum.
- Não queira adotar por dó da criança, mas por amor. Não queira adotar um bebê e sim um filho.
- Não desanime porque a “fila de espera” é demorada. Curta esse período com se fosse uma gestação e lembre-se que tudo tem o seu tempo certo de acontecer. O que é seu e se for seu mesmo, está reservado.
Parabéns a ambos pelo belo gesto de amor, agradecimentos sinceros por este generoso compartilhamento de experiências, saúde, alegrias e vida longa a Débora, Clécio e Gabriel!